Fui chamada ignorante. De fato o sou, há tanto que desconheço, é um mundo tão grande esse em que vivemos.
Não sei que língua se fala na Papua Nova Guiné, não sei nem se esse país ainda tem esse nome. Não sei qual a religião predominante no Gabão (islamismo, talvez?). Não sei quase nada sobre música, sobre o movimento expressionista, sobre qualquer coisa em matemática, química, física ou biologia.
É tanto o que ignoro que talvez não deva tomar o adjetivo por uma ofensa, em se tratando de uma realidade fática.
Mas o quão ignorante será quem assim me chamou? Não é também ignorar as diferenças entre as pessoas uma ausência de conhecimento? E o quanto alguém que diz isso a outro ignora sobre relacionamentos, sentimentos, trato social, sobre a vida? Saberá ela que as palavras podem ferir, podem destruir?
Talvez quem assim fala comigo ignore que compartilha comigo a ignorância.