sábado, 5 de novembro de 2016

solidão

A solidão é minha parceira de longa data. Gosto de ter amigos, pessoas com quem compartilhar os dias, os risos, as tristezas, mas é nos momentos em que estou só comigo mesma que me sinto verdadeiramente completa, inteiramente eu.

Me lembro de quando adolescente, minha mãe e irmã com frequência viajavam para a serra e eu ficava sozinha em casa, adorava aqueles finais de semana, as maratonas dos seriados favoritos no dvd (basicamente Friends, Gilmore Girls e Arquivo X), as lasanhas de microondas (quatro queijos, por favor) e os brigadeiros de panela só para mim. Tomava banho quando e se quisesse), dormia quando e se quisesse (quase sempre no sofá mesmo, para depois voltar ao episódio em que tinha dormido mais facilmente).

Eu dou risada sozinha, eu choro sozinha, eu estou comigo, sozinha.

Depois daqueles tempos, só fui experimentar a solidão novamente quando cresci muito, hoje tenho poucas oportunidades para isso, e creio que, quando eu for mãe, nunca mais terei eu mesma para mim. Isso me deixa triste, já saudosa de algo que ainda não foi, mas que é tão certo que se vá, que sofro por antecipação.

Hoje poderia estar apreciando a solidão, o dia cinzento, um friozinho fora de época, sozinha em casa. Mas tenho trabalho da pós-graduação para fazer. Talvez não seja tão antecipado assim o meu pesar.